O Narcisismo na Era Digital: Transtorno real ou adaptação cultural?

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A banalização do diagnóstico nas redes sociais

Basta rolar o feed de qualquer rede social por alguns minutos para encontrar dezenas de vídeos listando os "sinais de que você namora um narcisista" ou de que o seu chefe tem transtorno de personalidade. O termo tornou-se um grande guarda-chuva usado para rotular qualquer pessoa que age com egoísmo ou falta de empatia. Mas será que estamos vivendo, de fato, uma epidemia clínica de Transtorno de Personalidade Narcisista, ou estamos apenas observando pessoas comuns tentando sobreviver em uma cultura que premia a vaidade?

A economia da atenção e a "autenticidade performada"

A era digital transformou a nossa forma de existir. Nós fomos inseridos no que chamamos de Economia da Atenção, onde o seu valor social é medido por métricas algorítmicas: curtidas, seguidores e visualizações. As plataformas são desenhadas para recompensar comportamentos que chamam a atenção. Nesse cenário, apresentar uma versão perfeita, otimizada e inflada de si mesmo deixou de ser um sintoma de arrogância e passou a ser uma exigência do ambiente.

Muitas atitudes que classificamos como "narcisistas" na internet são, na verdade, atos desesperados de pessoas buscando validação. Entramos no paradoxo da "autenticidade performada": o indivíduo finge ser autêntico e vulnerável apenas para gerar engajamento. Ele não sofre de um transtorno de personalidade incurável; ele está apenas condicionado por um sistema que exige que ele trate a si mesmo como um produto para não ser esquecido.

O vazio de viver para a vitrine

O custo de viver para essa vitrine virtual é gigantesco. Quando a identidade do sujeito fica inteiramente terceirizada para a aprovação externa, ele se desconecta das próprias emoções. Ao focar apenas em como a sua vida parece para os outros, ele perde a capacidade de saber se essa vida é boa para ele mesmo.

É extremamente comum que pessoas presas nessa roda-gigante de performance cheguem ao consultório enfrentando uma severa crise existencial e falta de propósito. Elas construíram um personagem tão bem-sucedido que agora se sentem vazias, solitárias e esgotadas pela pressão de ter que mantê-lo de pé. Além disso, essa desconexão gera graves impactos na vida a dois, sendo o motor de boa parte das crises que tratamos na resolução de conflitos de casal.

O resgate do "eu" longe do público

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Psicólogo Jorge Dias

Psicólogo Jorge Dias

CRP 08/31462 | Psicoterapia Clínica Integrativa

Especializado em crise existencial, autossabotagem, padrões familiares e integração psicologia-espiritualidade. Atendimento online para todo o país e presencial em Presidente Epitácio - SP.

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